Amélie Bouvier

Por volta de 1550, Melchior Lorck desenhou «Tartaruga a olhar sobre a cidade». Este desenho surrealista mostrava uma tartaruga gigante a pairar sobre o céu, representando tanto o desejo humano de viver nos céus como a possibilidade de apreender a terra através deles. Hoje, não será difícil de imaginar esta tartaruga como um protótipo de um drone ou como um voyeur absorvente.


Através da minha prática em desenho, desenvolvi um forte interesse pela fotografia aérea e nas suas ramificações da percepção, bem como, de poder. A vista aérea é um instrumento magnífico na evolução do conhecimento humano podendo também sugerir uma potencial ausência de limitações. Essa ausência pode ser preenchida com a percepção turva onde realidade e potencial, facto e ficção, transportam o espectador para a oportunidade. Do céu, vemos tudo! Vemos?

No meu trabalho utilizo imagens de arquivo científico, diagrama militar, google e de ficção científica, para acompanhar a evolução de uma representação específica num contexto particular, visando assim a observação dos limites entre a percepção real e imaginária. Transformo imagens, detalhes de acontecimentos e eventos, de modo a proporcionar novas perspectivas sobre a identidade e disposição de um lugar e tempo específicos.

 

1. Amélie Bouvier

Amélie Bouvier, b.1982, Paris, artista plástica.

2. O que vês quando olhas para a tua obra?

Vejo o trabalho e a sua história. Vejo as pesquisas que lhe deram forma e tento ler o que a obra poderia trazer no futuro. Vejo papel, vejo tinta, vejo imagens, vejo a História. Vejo incertezas e satisfações.

3. Que elementos não podem faltar numa exposição tua?

Não sei. Ainda… mas talvez coerência, dialogo, curiosidade e aberturas?

4. O teu processo artístico em poucas palavras.

O início do meu trabalho está na pesquisa. Apoio-me num arquivo de imagens científicas, diagramas militares, mapas, fotografias de satélites ou ficção-científica para seguir a evolução de uma representação especifica num contexto particular e procuro assim descobrir as linhas e limites entre a realidade e perspectivas fictícias. Ao utilizar o desenho, o video ou a instalação procuro transformar imagens, detalhes de acontecimentos e eventos podendo oferecer novas perspectivas para a identidade de um lugar e de um tempo particular.

5. Artistas vivos ou obras que são uma referência para ti.

David Clairbout, Camille Henrot, Nicolas Lamas, Thu Van Tran, Carla Filipe, Jimmie Durham, João Maria Gusmão + Pedro Paiva, Erika Verzutti, Jean Katambayi, Marcin Dudek e muitos muitos mais.

6. Tendências que tens percebido ou acompanhado na arte contemporânea nos últimos 15 anos.

Não sei bem definir as tendências, ainda não pelo menos, mas tenho vindo a interessar-me por artistas ou projetos que tentam entender a maneira como o futuro é interpretado, especulado, pensado. Projetos como “Agence Future” ou “Uncertainty Scenarios”. Também nos podemos referir as tendências do mercado da arte e isso também tenho tentado entender ao visitar e participar em feiras de artes, exposições, artigos, etc etc, etc….

7. O que é que tu colocarias no teu cabinet de curiosités?

Tudo!

8. A experiência como artista residente no CDAP.

Fiz um projeto bastante importante para mim, que me permitiu desenvolver de maneira diferente o resto do trabalho. Houve muita partilha e troca de ideais. Foi uma experiência muito rica.

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