CDAP no Palácio

Quando o Palácio Pombal foi entregue ao CDAP pela EGEAC, em 2009, em regime de cedência, este encontrava-se sem função, totalmente desabitado e ainda com evidências da intervenção de emergência realizada pelo engenheiro João Appleton. Esta campanha consistiu basicamente na consolidação da fachada  tardoz, acompanhada pela introdução de uma cobertura nova. Restos de cimento e andaimes eram, no início, cenários frequentes.

Nesse momento, o Palácio, caracterizado pela sua planta labiríntica, 86 janelas e aproximadamente 3000 m2 de área útil, encontrava-se vazio e sem um destino.

À medida que se desenvolveu o programa curatorial , as crescentes exigências dos projetos de instalações artísticas e dos eventos relacionados, o Palácio foi sendo limpo, preparado e descoberto para receber os artistas, as equipas e, acolher as obras de arte.

O primeiro passo realizado foi a diferenciação entre a zona pública, dotada de um circuito museológico eficaz e seguro, e a zona dos bastidores, com uma área de escritórios, oficinas e armazenamento de obras. Estas duas áreas continuam hoje a presidir à distribuição do espaço.

Após esta primeira definição, com o passar do tempo foi-se tornando mais claro o entendimento das capacidades e valências de cada sala, e constatando como as condições de cada espaço variam conforme as estações do ano. Existem actualmente 17 salas de exposição abertas ao público e 9 salas de bastidores, produção e serviços.

Não podemos esquecer que o edifício foi reconstruído a partir do que restou do terramoto de 1755, e que contém áreas com dimensões consideráveis, com pés direitos de 6 metros de altura, tectos em estuque e escadarias monumentais. Portanto, da luz ao som, passando pela temperatura à área útil, todas as acções têm de ser muito planeadas para que o público possa usufruir tanto das obras como do palácio de uma forma serena e segura.

 A estratégia da gestão de todos estes aspectos acima referidos implicou a criação de um processo de monitorização “panorâmica” diária. Foi assim que, muito naturalmente, o CDAP, além da sua actividade de programação artística, iniciou também uma acção imprescindível enquanto conservador e gestor do edifício. Trabalham diariamente no Palácio, entre a equipa permanente, colaboradores, voluntários e os artistas residentes, cerca de 30 pessoas. Além dos seus trabalhos individuais, todos são responsáveis, pela vigilância e preservação da toda a área do edifício e jardim. Esta consciência comum da necessidade de zelar pelo Palácio contribui , no final, para que o edifício possa servir a cidade e os seus visitantes. Através desta estratégia de serviço público, o edifício é devolvido à cidade, dotado de conteúdos artísticos e de iniciativas que o aproximam da comunidade.

 Sendo o Palácio Pombal classificado como Património pelo Igespar, o CDAP não decide nem inicia nenhuma actividade de restauro. Opera ao nível da manutenção e monitoriza e comunica as situações que possam conduzir ao agravamento geral do imóvel. 

No final, o CDAP, que parte de um programa de interesse curatorial, acabou por introduzir desde cedo nas suas preocupações mais centrais e quotidianas o próprio edifício: da inspiração e mote para os artistas criarem as suas obras, à definição das condições para a sua boa utilização, e para a manutenção de um legado, através da sua preservação para as gerações futuras. 

Em última instância, pela sua radicação fortemente implicada no Palácio Pombal, o CDAP posiciona-se como um programador singular e contemporâneo da cidade de Lisboa, consciente do seu património histórico.

 

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