Laura Vinci

Lux / No Ar

Laura Vinci (Brasil)

 

Tendo abandonado a pintura ainda nos anos 1980, Laura Vinci vem se dedicando exclusivamente à escultura e, a partir da segunda metade dos anos 1990, à instalação. A gradual evolução para uma produção de grande escala é perfeitamente lógica, considerando que, desde o início, o que levou a artista a uma produção tridimensional foi o desejo de interagir profundamente com o espaço.

A grande variedade de materiais empregados por Laura Vinci em suas instalações poderia ser indício de um percurso artístico marcado por súbitas rupturas e frequentes mudanças de rumo. Na verdade, porém, trata-se de um trabalho extremamente coeso, em que o fazer da artista parte, muitas vezes, do desejo de transformar a matéria-prima, seja essa transformação algo quase corriqueiro (a água que se torna vapor, ou gelo, operações recorrentes em sua obra), ou, ao contrário, surpreendente (o mármore transformado em pó finíssimo, quase etéreo: Máquina do mundo, 2006), ou, quando menos, inusitado (as maçãs entregues a uma lenta e perfumadíssima decomposição: Ainda viva, 2007). Esse processo de transformação, contudo, atinge em primeiro lugar o próprio espaço, como na instalação realizada por ocasião do evento Arte Cidade 3 (1997), em que um edifício abandonado era transformado em uma imensa ampulheta com um simples furo realizado na laje, por onde escorria, lenta mas inexoravelmente, um fio de areia.

 

Laura Vinci nasceu em 1962, em São Paulo, onde vive e trabalha. Entre suas exposições individuais recentes estão: No ar (Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador, Brasil, 2013);Clara-clara (Arte na Cidade, São Paulo, Brasil, 2012); e Laura Vinci (Carpe Diem Arte e Pesquisa, Lisboa, Portugal, 2010). Participou da 26ª Bienal de São Paulo, Brasil (2004); das 2ª, 5ª e 7ª edições da Bienal do Mercosul, em Porto Alegre, Brasil (1999, 2005 e 2009); e da 10ª Bienal Internacional de Cuenca, Equador (2009). As tramas do tempo na arte contemporânea: estética ou poética? (Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, Brasil, 2013); Instável (Paço das Artes, São Paulo, Brasil, 2012); Beuys e bem além: ensinar como arte (Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, Brasil, 2011); Cantiere arte ambientale(Ex-Macello, Pádua, Itália, 2010); e Intempéries — o fim do tempo (Oca, São Paulo, Brasil, 2009) são algumas mostras coletivas que participou. Possui obras em acervos como os da Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, Brasil; do Instituto de Arte Contemporânea Inhotim, Brumadinho, Brasil; do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil; e do Palazzo delle Papesse, Siena, Itália.

 

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