Pedro Vaz

Nasci em Maputo, em 1977. Sou Licenciado em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.

O meu processo artístico inclui-se na fracção de investigação em paisagem que se interessa por tematizar a partir do hiato existente entre o Homem e o meio natural, aberto pela perda de uma alegada unidade cosmo-antropológica ancestral. Tendo latente essa cisão e sua acentuação no actual mundo contemporâneo, tecnológico e urbano-industrial, o meio, no meu caso, o meio natural semi-selvagem, é a mais importante componente do meu processo de criação artística. Os projectos a decorrer com a minha participação incluem Pentimento, Anozero na Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra e Cápsula, no Carpe Diem Arte e Pesquisa, em Lisboa; de entre as exposições agendadas para o futuro próximo destaca-se a participação em Segunda Natureza durante este ano, no MAAT - Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia, em Lisboa. As mais recentes exposições individuas incluem: Atlântica durante 2015, na Galeria Baró, em São Paulo e Neblina, também durante 2015, na Galeria 111, em Lisboa.

 

1. Pedro Vaz

Permanente caminhante, explorador, criador.

2. O que vês quando olhas para a tua obra?

A distância entre a experiência do lugar e a forma da obra.

3. Que elementos não podem faltar numa exposição tua?

O avanço do elemento natural é sempre considerado o mais importante e um desenvolvimento feliz é criarem-se relações de escala com o espectador que permitam a percepção da sua grandiosidade e nobreza.

4. O teu processo artístico em poucas palavras

Estou interessado em uma imersão no meio natural. Para isso o contacto com o sítio sobre o qual trabalho é muito importante; as minhas obras muito frequentemente resultam de uma expedição. Em estúdio trabalho com base no cruzamento da minha memória visual e dos instrumentos da obra. Um pincel ou uma sequência fílmica numa mão e uma visão da experiência real on site na outra. A peça tende a ficar resolvida na sequência da retirada do que primeiro aplico. Não se trata de não colocar, mas apagar depois de colocar. Dar a ver o que passa a ser um espectro do que foi retirado.

5. Artistas vivos ou obras que são uma referência para ti

Robert Morris, Richard Long ou Hamish Fulton Helmut Dorner, Herbert Brandl ou Adrian Schiess. João Queiroz e Alberto Carneiro

6. Tendências que tens percebido ou acompanhado nas artes contemporâneas nos últimos 15 anos  

Na altura em que para mim foi claro que paisagem era a minha direcção artística, o tema quase não era uma opção para minha geração; a minha prática era muito isolada, com algumas excepções. Quase ninguém trabalhava em paisagem e o tema era tido como exausto. Alguns micro acontecimentos influenciaram-me exactamente por me confirmarem a validade de investir nessa pesquisa. Exemplo disso foi a mostra de Herbert Brandl, Helmut Dorner e Adrian Schiess em Serralves, em 2004, que é uma mostra sobre pintura mas é sobretudo uma mostra sobre paisagem. Tive outros casos de confirmação da validade da minha opção. Por exemplo, segui sempre a carreira do João Queiroz, com quem mais tarde tive a oportunidade de trabalhar, e as exposições no Chiado 8 em 2007 e na Culturgest em 2010 foram também reconfortantes acerca das minhas intuições sobre paisagem. Mais recentemente pode ser dita a mesma coisa relativamente ao grande trabalho sobre filosofia da paisagem de Adriana Veríssimo Serrão, de 2011. Entretanto o tema está reposto. Multiplicam-se as exposições e edições sobe o tema.

7. O que é que tu colocarias no teu cabinet de curiosités?

Talvez construísse em vez disso uma caixa de paisagem gigante.

8. A experiencia como artista residente no CDAP

A residência no Carpe Diem decorreu de forma muito agradável, usufruindo de um espaço calmo e muito tranquilo. O aspecto mais interessante foi o trabalho com o Lorenço Egreja, que seguiu o meu processo muito atentamente e me fez criar soluções para as armadilhas lúcidas com as quais repensava o projecto e que levou a um resultado que não esperava.

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