Greta Alfaro

Sou artista visual e desenvolvo o meu trabalho em diferentes médios, principalmente vídeo, fotografia, instalações e collage. Estudei Belas Artes na Universidade Politécnica de Valencia e posteriormente fiz um mestrado em fotografia na Royal College of Arts, em Londres.

As minhas exposições individuais incluem Comedias a honor y gloria (2016) em La Gallera, Valencia; El cataclismo nos alcanzará impávidos (2015) e European Dark Room (2014) na galería Rosa Santos em Valencia; Still Life with Books, em Artium, Victoria (2014); In Praise of the Beast, A Window to the World, MoCA, em Hiroshima, Japão (2013); A Very Crafty and Tricky Contrivance no edificio Fish and Coal em Londres (2012); Invención en el Museo ExTeresa en Ciudad de México (2012); Elogio de la Bestia en el Centro Huarte de Arte Contemporáneo em Pamplona (2010); In Ictu Oculi na galería Marta Cervera de Madrid e, a mesma peça, no Carpe Diem Arte e Pesquisa (2009); Ricorrenza, em Dryphoto Arte Contemporánea em Prato, em Italia (2008). Também tenho participado em exposições colectivas em Whitechapel Gallery, Saatchi Gallery e no Institute of Contemporary Art de Londres; no CCBB Brasilia, no Brasil; Bass Museum of Contemporary Art, em Miami; La Conciergerie de París; Kunsthause, em Essen, Alemania; Trafó House of Contemporary Art, em Budapest; La Casa Encendida, em Madrid. O meu trabalho em vídeo se tem mostrado em diversos festivais de cine, tais como o International Film Festival de Rotterdam no 2011 e o Festival Punto de Vista de Pamplona no 2013.

 

1.Greta Alfaro

Artista

2. O que vês quando olhas para a tua obra?

Obsessões que se repetem: excesso, profanação, ritual. Por outro lado, o mundo exterior misturado com o meu mundo próprio. Vejo uma inexplicável fusão entre a ideia que é o motor do projecto, (o tema sobre o qual estou trabalhando) a sua justificação teórica e a maneira na qual decido tratar este tema a nível plástico, com o meu mundo interior e a minha vida pessoal.

3. Que elementos não podem faltar numa exposição tua?

Público

4. O teu processo artístico em poucas palavras.

Primeiro, uma intuição, como uma iluminação que dita o primeiro impulso e que é seguida de um largo processo de investigação e de toma de decisões. Uma vez todo está claro, a produção per se é breve (em relação á fase anterior), muito intensa, quase frenética.

5. Artistas vivos ou obras que são uma referência para ti.

Claro que há artistas vivos dos quais gosto, mas, não sei se os consideraria como os meus referentes. As minhas referencias verdadeiras vem de outros sítios: o barroco, o arte medieval, o surrealismo. Do cinema: Luis Buñuel, Pier Paolo Pasolini, Federico Fellini, Sergei Paradjanov, Werner Herzog.

6. Tendências que tens percebido ou acompanhado nas artes contemporâneas nos últimos 15 anos.

Vejo tendencias que me asustan. O arte não pode estar longe do que a rodeia, deve interatuar com o mundo, lançar propostas, promover o pensamento crítico, comover. A pesar disto, acho que a arte contemporânea, cada vez mais, se dirige só ao mercado, na procura de contentar ao seu patrocinador, á galeria ou ao colecionista. Cada vez mais vemos uma arte que não se liga ao que acontece ao seu redor e que, quando o faz, é de modo oportunista, sem um compromisso verdadeiro. Seguindo estos mesmo princípios, as políticas culturais se dirigem ao beneficio económico, sem ter em conta a necessidade de que uma sociedade produza, valorize, entenda e defenda uma arte e uma cultura de boa qualidade. Por outra parte, o sistema deixa ao artista como a última “marioneta”, quando este é a base da sua existência. Há uma falta de direitos que normalmente se impõe desde as instituições e as galerias e, lamentavelmente, é aceitada pelos artistas com demasiada frequência: não pagar ao artista pelo trabalho realizado, não ter em conta os direitos de autor (que são inalienáveis) ou não assegurar as obras que são parte duma exposição, entre outros exemplos. Ao fim de contas, o que percebo no mundo da arte é a mesma fragmentação que percebo no tecido social todo, a mesma falta de solidariedade e os mesmo valores individualistas, baseados no medo e no conceito de aprendizagem empresarial. Isto nos tem levado a uma crise que pressagia um futuro escuro.

7. O que é que tu colocarias no teu cabinet de curiosités?

Muitas coisas. Penso muito nisto e, se fosse possível, teria o meu próprio. Algumas coisas que colocaria agora são: Relíquias de santos (algum corpo inteiro de mártir romano bem engalanado ou um santo prepúcio), relicários completos desses que são feitos com tanto amor, com ossos enfeitados com laços, flores e inscrições, rodeados de sedas e metais preciosos. Uma copia original de Crudelitas in Catholicis Mactandis, de Cruciatus SS Martyrum, do Compendium maleficarum, e do gravado Tableau de l’inconstance des mauvais anges et demons. Uma Vénus de cera de estúdio anatómico, como as de Susini. Pinturas, gravados e esculturas medievais, renascentistas ou barrocos representando danças macabras, vanitas, memento mori. Miniaturas iluminadas medievais.

8. A experiencia como artista residente no CDAP.

Foi um privilégio trabalhar com todo o equipo, especialmente com a comissária Antonia Gaeta e com o Paulo Reis. Acho fantástico que tenham deixado o espaço no seu estado atual em vez de ter feito uma restauração mal feita para o transformar num cubo branco, como tristemente acontece quase sempre. Tal e como está, é o tipo de sitio onde eu gostava de expor a maior parte dos meus projectos: um espaço com personalidade própria, que interage com o trabalho e viceversa.

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