Claire de Santa Coloma

Nasci em Buenos Aires em 1983. Desde muito cedo, interessei-me pela escultura e comecei a praticá-la numa oficina do meu bairro, desde os 10 anos até que parti da Argentina. Estudei em Paris, na Sorbonne e, paralelamente, mas de maneira muito mais intensa, numa oficina de escultura especializada em talha direta. Em 2007, estive na Casa de Velázquez, em Madrid, com uma bolsa de 2 anos. A partir desse momento, comecei a minha vida ativa como artista e comecei a questionar a necessidade de trazer mais objetos ao mundo, colocando a escultura no centro de todos os meus debates. Vivo e trabalho em Lisboa desde 2009. Exponho a minha obra, regularmente, desde 2008.

 

1. Claire de Santa Coloma

Escultora.

2. O que vês quando olhas para a tua obra?

Vejo o que é, sua matéria e seu processo. Ultimamente, pedaços de madeira talhada ou papel recortado.

3. Que elementos não podem faltar numa exposição tua?

Uma forte relação entre a obra e o espaço no qual a obra está exposta. Uma noção de tempo e de economia.

4. O teu processo artístico em poucas palavras.

Tento ser coerente e autónoma ao longo de todo o processo, não depender de ninguém nem de nada. Em geral, trabalho com madeira encontrada, com luz natural e ferramentas básicas, à mão. Tudo o que faço é à mão, interessa-me não só o trabalho e o esforço que isso requer, mas também uma margem de erro inevitável.

5. Artistas vivos ou obras que são uma referência para ti.

Jimmie Durham, Mattia Denise, Danh Vo, Fiona Hall, João Penalva, Projecto teatral, Enzo Mari, o projecto “Splitting” de Gordon Matta-Clark e muitos mais.

6. Tendências que tens percebido ou acompanhado na arte contemporânea nos últimos 15 anos.

Cada vez há mais agentes em torno da arte, se multiplicaram as instituições, museus, bienais, residências, clínicas, férias, curadores, galerias, etc. Todo este aparelho contribui para a profissionalização do artista e, muitas vezes, considera-se normal que o material e a produção das obras sejam pagas mas que o artista trabalhe sem ser pago. Também percebo uma necessidade de “transportabilidade”: os artistas, os seus projectos e as suas obras viajam cada vez mais, por internet, por avião, ou de outra forma (talvez por drones, em breve).

7. O que é que tu colocarias no teu cabinet de curiosités?

Ferramentas japonesas, pedras encontradas.

8. A experiência como artista residente no CDAP.

Foi a minha primeira exposição individual, fiz um trabalho que ainda considero muito importante para mim. Foi interessante encontrar uma maneira de trabalhar com um espaço que, em geral, se impõe e “come” as obras. O processo foi estimulante e tive a oportunidade de fazer um trabalho que requeria a ajuda de muitas pessoas, ter essa experiência foi extremamente valioso. Também houve muita desorganização e a obra foi deteriorada antes do final da exibição.

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